Livro imperdível mostra 54 lições reais entre pais e filhos

Você tem alguma história de aprendizado com seu pai? No post de hoje quero mostrar o livro que li esta semana. “Aprendi com Meu Pai”, de Luís Colombini. O livro apresenta, em 251 páginas, 54 pessoas de diversas áreas que contam a maior lição que receberam de seu pai. Primeiro, deixo claro que não possuo qualquer acordo ou afiliação com o autor do livro mas achei que não poderia haver um tema mais apropriado para o blog da Três Amigos, pois aqui gostamos de incentivar um relacionamento de melhor qualidade entre pais e filhos.

Tomei a liberdade de separar 3 casos do livro que se relacionam a música: Ivete Sangalo, João Carlos Martins e André Abujamra.  Irei mencionar todos aqui, além do caso que você vê a seguir:

Pai só muda de endereço.

pais-e-filhos-capaHá casos onde o ensinamento é consciente por parte do pai. Há outros onde o filho precisou buscar no fundo de sua força de vontade um lado positivo para se agarrar. Este foi o caso de Francisco Britto, que teve um pai ausente desde os seus 2 anos de idade. Apesar da falta, demonstra que foi capaz de aprender lições positivas.

No caso de Britto, ele criou o próprio conselho consultivo para sanar a ausência do pai, formado por três figuras masculinas. Um avô, um tio e um amigo. Com isso, pôde resolver a lacuna que seu pai deixou nesse período de sua vida. Ele também usou sua experiência para ser um pai presente para os próprios filhos, usando-a como uma motivação para que eles não passassem pelo que ele enfrentou.

O amor pela música, entre pais e filhos

pais-e-filhos-ivete-sangaloIvete Sangalo aprendeu violão com seu pai aos 11 anos de idade. Segundo ela, aos 15 anos a música já lhe dava “moral” nas festinhas da escola. Em seu depoimento, Ivete conta como seu pai transferiu para ela a sua paixão pela música e ensinou que o gosto musical pode e deve ser eclético. Cada membro da família tinha seu gosto, passando por Djavan, Gil, Caetano, Zé Ramalho, Elba Ramalho, João Gilberto e Kid Abelha. Essas foram influências que passadas de pai para filha desencadearam grande desenvoltura em sua vida musical.

Segundo ela, para comprar discos fazia-se um verdadeiro evento: Família toda presente, com direito a almoço e voltar pra casa para escutar todos juntos. Percebemos aqui como a música foi mais do que uma influência de gêneros e estilos para se ouvir, ela se expande para uma ação de união entre os membros da família e pode simbolizar afeto, carinho e amor entre pais e filhos.

Superação de pai para filho

pais-e-filhos-joao-carlos-martins-2O pianista João Carlos Martins , que já foi considerado um dos maiores intérpretes de Bach do mundo, possui um caso conhecido e impressionante de superação. Depois de alguns acidentes, perdeu quase todos os movimentos das mãos e ainda hoje se dedica à música como maestro.

No livro, o músico conta que seu pai, que era perfumista, o ensinou determinação e superação, em um caso onde reverteu uma situação considerada perdida. Seu pai, assim, o inspirou, conseguindo criar uma fragrância da noite para o dia, que venceu uma concorrência (que já havia perdido no dia anterior) em uma grande empresa do ramo na época, a Gessy.

João Carlos Martins é conhecido exatamente pela capacidade de superação e transformação, tendo perseguido sua carreira de músico, que quase foi interrompida em seu auge, na época como pianista. Tudo começou quando uma pedrinha bateu em sua mão, em um jogo de futebol no Central Park, Nova York… O resto você pode ficar sabendo no livro.

Meu filho, a vida é sua, estrague-a como quiser…

pais-e-filhos-andre-abujamraO ensinamento que o músico André Abujamra conta ter recebido de seu pai é curto e grosso:  A vida é sua, estrague-a como quiser.

Em um acontecimento citado no livro, André conta que seu pai negou-lhe ajuda financeira durante uma viagem que ele fez com um amigo pelo Egito. O pai lhe disse, por telefone: “Meu filho, te amo. Te adoro. Mas não tenho dinheiro, lamento. Além disso você está aí porque quer”.

André conta que sentiu alívio, e que este acontecimento fez com que, após a viagem, tenha tido uma sensação de vitória e conquista. Quase sem qualquer dinheiro, precisou passar os maiores “perrengues” com o amigo, conseguindo retornar ao Brasil.

É muito bonito ver que o pai se faz presente mesmo quando propositalmente se faz ausente. O pai apresenta ao filho o mundo. O bom pai é também aquele que se faz desnecessário nas horas certas (estou aquecendo o meu talento para a poesia).

Eu também aprendi com meu pai

Eu aprendi a minha primeira música no violão com o meu pai. Ainda ensino essa música para meus alunos. O nome é surfmusic, mas na verdade é apenas um apelido, pois não tinha um nome. Foi um solinho que ele aprendeu com um amigo quando estudava em Ouro Preto.

Em casa eu ouvia diversos tipos de música. Quando era pré-adolescente eu tinha um gosto musical que hoje vejo como uma coisa engraçada. Vejo pelos meus alunos como é normal, nesta fase de descoberta, experimentar diversos estilos, ir a baladas e shows de vários gêneros, algumas vezes levado pelos amigos. É uma fase de descoberta. Como uma peneira. O que fica é aquilo com que cada pessoa realmente se identifica.

No meu caso, ainda guardo um carinho por coisas que ouvi, mesmo hoje não sendo o meu gosto preferido. Coisas que ouvi em casa e influenciaram muito meu gosto musical até hoje são:    Egberto Gismonti , Paulinho Nogueira, Milton Nascimento , Bach , e tantas outras pérolas.

Minha mãe escutava Bach no fone de ouvido, deitada no chão, aquilo me deixava curioso e logo depois lá estava eu escutando para ver o que era. Confesso que eu achava chato. Mas eu não entendia e depois vi que “achar chato” é ter um incômodo e que ter um incômodo é sair do senso comum e evoluir. Hoje eu sou um fã de Bach, me formei em violão na UFMG tocando uma suíte de Bach.

Conclusão: Inspiração para pais e filhos

Ao ler o livro “Aprendi com meu pai”, de Luís Colombini, o que ficou para mim é um sentido que geralmente encontramos em contextos religiosos: É preciso ter gratidão pelos pais, pelo simples fato de terem nos dado a vida.

Acho que esta sensação se deve à diversidade das experiências relatadas no livro, onde há um denominador comum: O filho sempre guarda um lugar especial para o pai, dentro de si mesmo.

Se você é filho, filha, mãe, pai, avô ou avó, sei que este assunto é pertinente pra você. Mas se você é pai ou mãe, então este assunto é prioritário. E se você leu até aqui, certamente deve ser alguém que pretende fazer o melhor.

Deixe seu comentário! Este artigo foi útil pra você? Te inspirou a ler o livro? Faça sua pergunta, crítica ou elogio, seu feedback é importante para a 3 amigos e para outros pais e familiares que nos leem.

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