Porcelana é difícil de arranhar e fácil de quebrar

Porcelana é difícil de arranhar e fácil de quebrar. Fico reparando que tem gente que trata as crianças como se fossem de porcelana. E tratam a si mesmas assim, o que vem sob a forma de auto piedade e vitimização. Há ainda pessoas que tratam os doentes como se fossem de porcelana. Entendo, respeito e acredito que devemos tratar bem e auxiliar quem quer que seja, de acordo com as suas necessidades, e pronto. Equilíbrio. Há também quem ache que os idosos são de porcelana…Entre a porcelana e o ser humano falível e responsável por aprender a se conduzir, fica óbvio que a diferença é gritante, mas…porcelana-crianca
…quando falamos da nossa atitude frente ao próximo, onde o tratamos como uma porcelana, ao invés de respeito e amizade verdadeiros, a diferença é sutil.

A motivação de eu escrever este texto é as crianças, mas como eu disse acima, se aplica é ao ser humano e as relações entre nós e nós com o mundo.

Minhas filhas, de 4 anos, esses dias começaram com uma mania de fazer drama por causa de machucadinhos. Uma simples frieira entre os dedos do pé causa uma reação completamente desproporcional. O que fazer? Um curativo tem o efeito placebo. Funciona por algum tempo. Falar que é só um machucadinho e vai passar, não adianta nada.

O que adiantou foi algo que alguns consideram “demais” para crianças de 4 anos. Mostrei um vídeo do Nick Vujicic, um cidadão norte-americano que nasceu sem as pernas e sem os braços, e é uma pessoa feliz, rica, casado e que inspira outras pessoas através de suas palavras. Seu “slogan” é: No legs, no arms, no worries (sem pernas, sem braços, sem problema).

Se você também acha que esta é uma atitude muito agressiva para as crianças eu te pergunto: Se este rapaz fosse seu vizinho você desencorajaria seus filhos a vê-lo? É uma realidade. Cair na ilusão de que somos de porcelana é o oposto de ensinar flexibilidade, superação.

Meu pai e minha mãe nos educaram de forma mais liberal do que eu venho criando minhas filhas. Meu pai às vezes acha que somos muito duros com elas. Creio simplesmente que talvez não vivemos em épocas tão otimistas, e se quero a felicidade delas, preciso ensinar que elas é que são responsáveis por serem felizes.

porcelana-auroraOntem, a Aurora (2 anos – foto), caiu do balanço, vocês podem imaginar como ela chorou. Acho que pais (homens) são mais “frios”, eu simplesmente não demonstrei minha aflição. Mas eu senti. E me veio: Qual é a melhor maneira de dizer que “não foi nada”? E então me veio a resposta, enquanto limpava as mãos, o cabelo, a barriga e as pernas dela (ela se esborrachou na terra, só de fralda): Perguntei pra ela: Quer que eu te coloque de novo no balanço? E ela aceitou.

Poucos segundos depois já estava rindo, e mais do que isso: Estava tirando uma das mãos, o que justamente tinha feito ela cair na primeira vez. Ela estava se desafiando, buscando resolver aquele nó, instintivamente, e brincando com isso: Aprendendo, e não reclamando alimentando algum medo…

A porcelana é difícil de arranhar mas muito fácil de quebrar. Sejamos de carne, osso e pele que arranha, e não de porcelana que quebra. Apreciemos os arranhões…

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