Comportamento Infantil e a música: 5 benefícios

Acredito que a música é uma das disciplinas que podem transformar a educação de uma criança de forma mais completa. Gosto de comparar com a natação. A natação é considerada um esporte completo, por usar todos os grupos musculares. Eu considero que a música é uma disciplina completa, por unir conhecimentos intelectuais e sensoriais. Une auto percepção, percepção do outro, escuta, raciocínio lógico, coordenação motora e sentimentos. Por estes motivos, a música possui um impacto positivo no comportamento infantil. Veja 5 benefícios diretos da prática musical no comportamento infantil (e adulto):

#1 – Conhecimento do próprio corpo:

No convívio com alunos e outros educadores aprendi como é importante trabalhar o “básico” com as crianças. Estamos sujeitos a confundir “básico” com “fácil”. Mas a grande diferença entre um e outro é que o ”básico” forma a base para tudo o que vem depois enquanto o “fácil” apenas simplifica as coisas mas não influência em resultados no futuro.

Sendo assim, uma das bases do conhecimento musical é a percepção e o conhecimento das partes do corpo.

O mapeamento corporal contribui para o auto domínio, daí o seu impacto positivo e global no comportamento infantil.  Uma das atividades mais conhecidas para se trabalhar este conhecimento do próprio corpo é uma parlenda (canção infantil curta de folclórica ou educativa) que diz assim:


Cabeça, ombro, joelho e pé, joelho e pé (2x)
Olhos, ouvidos, boca e nariz
Cabeça, ombro, joelho e pé, joelho e pé.

#2 – Auto Estima:

A auto estima é o reconhecimento de seu próprio valor. Tocar um instrumento é uma forma de se expressar em um nível profundo. Os mais tímidos encontram no instrumento musical uma forma de “transmitir sua mensagem”. Além disso, o simples aprendizado do instrumento é, em si, uma grande descoberta de seu próprio potencial.

Me lembro das primeiras notas que aprendi. O prazer de emitir sons com o violão era diretamente proporcional ao fato de que eu não acreditava muito no meu potencial. Mas ao aprender, via um novo mundo se descortinando.

Quando pude tocar uma música do início ao fim pela primeira vez, lembro da minha sensação de ter aquele poder sobre mim mesmo. E esta sensação continuou sendo o combustível pra que eu chegasse ao ponto em que cheguei.

Menino lendo partitura desenvolvimento infantil

#3 – Pertencimento perante a coletividade:

Fazer música em conjunto gera maior capacidade de diálogo, admiração mútua e em última análise, capacidade de escutar o outro.

Mas tocar um instrumento, mesmo sozinho, também tem um grande poder neste sentido. A admiração dos colegas e o fato de entreter as pessoas nas festas entre amigos e familiares contribui para que a pessoa se encontre no coletivo. Reconhecimento e pertencimento andam de mãos dadas.

#4 – Melhor rendimento na escola:

A música contribui para um melhor desempenho na escola, inclusive pelos motivos já citados acima. Mas além deles, eu gostaria de apontar um fator especial que torna isso possível, que é a organização do tempo.

O aprendizado musical não existe de fato sem uma organização do tempo. Quando ensino crianças, esclareço para os pais que para aprender o violão é preciso primeiramente “aprender a aprender”.

O que isso quer dizer é que a criança precisará, juntamente com a família, encontrar momentos estratégicos para a prática musical em casa. Assim a prática diária se torna um hábito e auxilia na organização global do tempo da criança. Inicialmente 10 ou 15 minutos por dia são suficientes.

Mas além deste fator, que é externo, existe um fator mais difícil de enxergar de fora, e que produz efeitos muito benéficos em quem estuda música: A organização do tempo interno.

Aprender movimentos, em complexidade crescente, exige organização e consciência. De todos os parâmetros musicais, o tempo é o maior responsável pela organização dos demais (graves, agudos, timbres e intensidades). Aprender a tocar no ritmo certo só é possível com a constante melhoria da percepção do som e dos movimentos.

Músicos profissionais sabem que é mais difícil tocar devagar do que tocar rápido. O motivo para isso é: Ao tocar em andamento lento, é preciso acessar todo o conhecimento do trecho musical. Saber tocar lento é um dos principais termômetros de amadurecimento musical.

#5 – Exercício de liderança

Sabemos que para saber mandar é preciso saber obedecer. A música ensina estas duas habilidades de forma inseparável.  Em uma banda de rock, há diversas funções complementares. A bateria é a que mais serve, pois dá a referência rítmica para os demais instrumentos. O baixo, faz a ligação entre a bateria e a guitarra, que por sua vez “colore” harmonicamente a música. Estes três juntos, forma a “cama” para a voz.

Orquestras e outros tipos de conjunto musical possuem esta mesma hierarquia, com combinações diferentes. E estas funções, apesar de claras, não são rígidas. Quando há um solo de bateria, ela sai do fundo e aparece como protagonista por exemplo.

A prática musical ao contemplar esta dimensão é um tremendo exercício de liderança. O “band leader” (líder da banda) geralmente é o cantor mas nos bastidores e também na prática do palco, cada integrante tem o seu lugar no brilho do trabalho musical.

Meninos tocando violão desenvolvimento infantil

Música na escola regular e em cursos livres.

Na escola regular o ensino da música apresenta características diferentes de aulas extracurriculares. Há um maior número de alunos por turma, além disso, a presença de cada um deles não ocorre por interesse direto em fazer a atividade e sim por exigência curricular.

Ainda assim, esta atividade deve ser muito bem vista nas escolas. No intuito de unir os alunos e até mesmo a comunidade escolar como um todo o professor deve estar preparado para lidar com a diversidade, quem ganha com isso são os alunos.

Na outra ponta, há os cursos de música especializados, onde os pais matriculam seus filhos esperando uma formação diferenciada. Nestes casos, o envolvimento e o desejo do aluno são fundamentais.

Finalmente, existe também a participação dos pais no processo de organização do tempo do filho para treinar o instrumento em casa. É uma parceria de fato entre pais e professores que deve ocorrer em prol do desenvolvimento da criança e acredite, funciona.

E aí? Compreendeu melhor a importância da música para transformar o comportamento infantil? Deixe seu comentário e acrescente suas percepções sobre esse tema!

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