Aprender um instrumento desde cedo: Kênia Chantal explica

Kênia Chantal é professora de violino especializada no ensino para crianças a partir de 2 anos de idade. Autora de livros didáticos do instrumento, ensinou violino para sua própria filha e nos conta esta experiência com uma atitude gentil e sensível que lhe é própria. Eu tive a oportunidade de conhecer a Kênia em 2006, quando passei a lecionar na mesma instituição que ela. Kênia também publicou CD´s infantis voltados para o ensino da língua inglesa. Confira agora esta entrevista com ela, é muito interessante:

Conheça o método Susuki:

3A-EAD: Kênia, conte-nos o que é o método Suzuki e o que ele oferece de inovador, em especial ao estimular a relação afetiva entre pais e filhos.

KÊNIA CHANTAL: O método Suzuki é um método inovador, criado por um japonês , chamado Shinichi Suzuki. Ele criou uma forma de as crianças aprenderem um instrumento musical, seja qual for o instrumento, desde uma idade muito tenra, a partir dos 2 ou 3 anos de idade e com uma participação efetiva dos pais.
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O objetivo central do Suzuki foi que a criança se divertisse aprendendo. Que ela brincasse ao aprender o instrumento. E esta é uma ferramenta inovadora porque faz com que a criança sinta prazer em tocar o instrumento.

Isso ocorria sempre com a participação da mãe, o que era mais comum na cultura japonesa e muitas vezes ambos aprendiam o instrumento juntos. Ele se baseou no fato de que durante o aprendizado da língua materna, a criança se baseia bastante na mãe. Portanto, o método foi elaborado e centrado no ambiente onde se aprende a língua materna.

O professor tinha em mente de que a capacidade para se aprender um instrumento não é inata, mas sim aprendida. Ele defendeu e demonstrou que o talento pode ser criado. Segundo ele toda e qualquer criança pode ser musicalizada e com isso alcançar desempenho excepcional.

O que eu considero mais legal neste método é que ele estimula o envolvimento entre o pai, a mãe e os filhos. Eles fazem música juntos, o que é um prazer muito grande para a criança.

Quando aprendemos a língua materna, assim como no método Suzuki, a ferramenta central é a mesma: um conjunto que envolve amor, bons exemplos e reforços positivos.

Ensinando para a própria filha:

3A-EAD: Você tem uma filha. Como foi a sua experiência ensinando violino para a sua própria filha? Que soluções você desenvolveu que considera úteis para que outros pais e mães influenciem ativamente a educação musical de seus filhos?

aprender-um-instrumento-foto-giselleKÊNIA CHANTAL: Hoje a minha filha está com 12 anos de idade. Ela iniciou no violino com 3 anos de idade. O que sempre busquei para ela foi uma experiência prazerosa.

O que eu fiz foi tocar o violino e deixar que ela se sentisse atraída pelo instrumento, o que ocorreu naturalmente.  Nunca precisei forçar ou exigir muito tempo com o instrumento.

Enquanto ela tinha seus primeiros contatos foi que fiz testes na pegada, no repertório e na didática como um todo. Criei um método para ela, que posteriormente se tornou o meu método de violino para crianças.

Outra coisa importante foi sempre reforçar positivamente. Mesmo que ela desse uma arranhada com o arco, ou qualquer outra imperfeição ao tocar, eu sempre elogiei, disse o quanto ela estava indo bem, tocando lindo. Tocava para os priminhos, para as tias. Mas o mais importante foi observar se ela estava cansada ou realmente com vontade de tocar, de ter esta troca afetiva comigo tocando o instrumento.

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Dicas para os pais e mães:

3A-EAD: Como os pais podem ajudar os próprios filhos, e como isso pode ser benéfico também para eles particularmente?


KÊNIA CHANTAL:
O prazer que se sente ao ver um filho tocando música não tem preço mesmo, é maravilhoso.  Eu acredito firmemente que ao se fazer música em família, juntos, o vínculo aumenta mais ainda. O vínculo afetivo e o prazer de estar com a família é maior sem dúvida.

Uma forma legal de os pais ajudarem os filhos quando eles estão aprendendo um instrumento é assistir as aulas, os pais terão uma visão da aula diferente das crianças. Terão uma absorção maior de alguns elementos da aula do que o próprio filho e com isso poderão auxiliar a criança no seu desenvolvimento, no estudo doméstico diário.

Mas não apenas isso, há o benefício  para o próprio pai ou mãe, que se encantarão com o instrumento. Poderão aprender juntos e o valor que atribuirão a este processo é inestimável.

Dificuldade técnica:

3A-EAD: Você é professora de um instrumento considerado muito difícil de tocar, o violino. Como a sua metodologia torna o instrumento atrativo e acessível até mesmo a partir de 2 ou 3 anos de idade?

KÊNIA CHANTAL: Nesta minha metodologia a criança tem a oportunidade de tocar em pequenos grupos de violino, com outras crianças. E a participação dos pais também é extremamente benéfica, nesta primeira fase de 2 a 4 anos.

O violino realmente é considerado muito difícil de tocar. A postura ao tocar o violino é antinatural.  Mas o mais importante é que a criança tenha prazer e para isso ele precisará ter acesso a um repertório confortável para ela, acessível.

Algumas vezes a criança terá um pizzicato bem fácil, ou uma notinha, mas com um acompanhamento interessante onde ela se sinta fazendo música, o que é mais importante.

É importante saber não queimar etapas das fases de desenvolvimento das crianças. Queimar etapas com repertório muito difícil, em alguns casos é o que desmotiva a criança.

Algumas das publicações da Professora Kênia Chantal:

aprender-um-instrumento-violino-pequeninos-livro           aprender-um-instrumento-livro-kids-songs              aprender-um-instrumento-cd-kids-songs

Aprender um instrumento é algo profundo

Enquanto professor de violão, amadureci a minha didática e a levei a um nível diferenciado, quando conheci o método Suzuki. A partir deste novo paradigma veio também o repertório necessário.

O método Suzuki não é uma fórmula e sim uma forma de encarar a educação musical. E a maneira como o este “método” transformou a minha abordagem didática se baseia em dois pilares:

  • Repertório
  • Relação entre pais e alunos.

Assim como explicou a professora Kênia, o repertório precisa respeitar a fase de desenvolvimento da criança. Por outro lado, precisa haver o principal componente no aprendizado musical das crianças que é o afeto. Este afeto é conquistado diretamente na relação com os pais. Para a criança não há substituto para esta relação.

Envolver os pais é algo que demanda estratégias mais imediatas ou mais profundas, mas sempre com resultados fáceis de notar, pela resposta da criança.

Em um primeiro momento a mãe ou o pai poderão assistir à aula do filho, o que representa um avanço. E indo mais além, teremos estes pais de fato aprendendo junto.

Aprender um instrumento é uma atividade que envolve todas as dimensões do ser humano, desde o seu racional, passando pelo sensorial e chegando ao espiritual, manifestado pelo sentimento. Por isso o afeto está intimamente relacionado com o aprendizado.

Deixe suas dúvidas!

Deixe suas dúvidas sobre este tema. O seu envolvimento começa pelo questionamento, e isto poderá ser útil também para outros pais e mães.

Este post tem um comentário

  1. Esse foi o tipo de post que vc sente mexer dentro de vc. Me fez repensar várias coisas.
    Primeiro eu pensei: como seria minha vida hoje, se meus pais tivessem passando um tempo assim cmg, envolvendo a musica. E depois que isso é tão lindo que quero com certeza aplicar com meus filhos (quando tiver)
    Eu senti tão forte esse laço de mãe e filha no texto. Uma coisa tão linda. Estão de parabéns =)

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